Evento promovido pela Estácio reuniu estudantes e representantes da etnia indígena pernambucana em uma experiência de imersão cultural
“Levar vocês de volta pra casa”. É assim que Tafke-â define a peregrinação que faz por todo o país mostrando a cultura do povo Fulni-ô, etnia indígena pernambucana que mantém viva a língua Yathê, considerada a única língua nativa ainda preservada em uso contínuo entre povos indígenas do Nordeste. Acompanhado de Chyce, outro membro da comunidade, o líder foi ouvido atentamente por uma plateia de alunos da Estácio Campus Petrópolis, durante mais de duas horas de conversa sobre ancestralidade, pertencimento e identidade, em uma noite de imersão cultural realizada nesta quarta-feira (20).
”O regresso à casa, uma recorrência na fala de Tafke-â, simboliza aquilo que os Fulni-ô definem como um retorno da civilização urbana às próprias raízes. Em uma troca intensa com estudantes e professores, os convidados abordaram desde hábitos cotidianos da aldeia até temas ligados à espiritualidade, ao respeito à natureza, aos rituais sagrados e à preservação cultural.
“Somos todos irmãos. É isso que deve nortear os povos”, diz Tafke-â, que aos 44 anos, abraçou como propósito de vida percorrer o país e “abrir” a cultura Fulni-ô para todos. O efeito, segundo ele, é sentido pela transformação do comportamento em relação à etnia. “Quando existe conhecimento, existe respeito. As pessoas deixam de olhar para nós com distância e passam a entender que fazemos parte da mesma humanidade, conectados”, afirma.
Casamento, sexualidade, trabalho, cura de doenças e hábitos cotidianos foram temas de interesse dos alunos na roda de conversa. Lucas Pereira, aluno de Jornalismo e Julia Gomes, de Publicidade, interagiram com a dupla indígena e falaram de suas impressões. “Só quem participou consegue dimensionar a emoção que foi essa palestra”, afirma Lucas. Para Julia, caloura no curso, foi uma “oportunidade única e enriquecedora”.
A iniciativa de trazer os Fulni-ô ao campus partiu da aluna do curso de Publicidade, Isabelle Corrêa, que soube da passagem do grupo pelo Rio de Janeiro e levou a proposta à coordenação dos cursos. A ideia foi imediatamente acolhida e transformada em uma atividade aberta para toda a comunidade acadêmica. “Quando conheci um pouco mais sobre a história deles, pensei que seria uma oportunidade muito rica para todos nós. É uma troca que ultrapassa a sala de aula e faz a gente refletir sobre cultura, humanidade e respeito”, destaca Isabelle.
Coordenadora dos cursos de Jornalismo e Publicidade da Estácio Petrópolis, Estela Siqueira ressaltou a importância de aproximar os alunos de experiências que ampliem a percepção sobre diversidade e comunicação. “A universidade precisa ser também um espaço de escuta, de encontro e de ampliação de repertório. Receber os Fulni-ô foi proporcionar aos nossos estudantes uma experiência humana muito profunda”, afirma.
Diretora do campus, Patrícia Bach também destacou o papel da instituição na promoção de atividades voltadas à formação cidadã. “São momentos como este que fortalecem o ambiente acadêmico como espaço de transformação social, respeito às diferenças e construção coletiva de conhecimento”, pontua.
Além da roda de conversa, os integrantes da etnia promoveram exposição e venda de artesanatos, uma das principais fontes de renda da comunidade indígena. O encerramento da noite foi marcado por canções ritualísticas e pela participação dos alunos em uma saudação ao “espírito maior”, em um dos momentos mais simbólicos da programação. E a experiência vai ter continuidade. A proposta agora é construir uma agenda conjunta entre a universidade e os Fulni-ô para o próximo ano, quando o grupo retorna ao Estado do Rio de Janeiro.
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