Para médico do Hospital Santa Teresa, um dos maiores obstáculos no combate ao Parkinson é a detecção precoce. A condição neurológica pode ser prevenida a partir da adoção de hábitos saudáveis e constantes ao longo da vida
Lentidão ao se vestir, tremor leve em uma das mãos, mudanças sutis na caligrafia… Muitas vezes, os primeiros sinais da Doença de Parkinson surgem de forma silenciosa, sendo confundidos com o processo natural de envelhecimento. Por isso, neste 11 de abril, Dia Nacional do Portador da Doença de Parkinson, o foco da comunidade médica é desmistificar a condição neurológica que, apesar de crônica e progressiva, tem apresentado diversos avanços terapêuticos que ampliam a qualidade de vida dos pacientes.
A Doença de Parkinson é, em sua essência, um distúrbio na comunicação do cérebro com o corpo. “O Parkinson é uma doença neurodegenerativa progressiva, isto é, afeta o controle dos movimentos e piora com o tempo. Isto acontece por conta da perda de neurônios na substância negra, área do cérebro responsável pela produção da dopamina”, explica o Dr. Edson Nunes, neurologista do Hospital Santa Teresa. A dopamina é um neurotransmissor fundamental para a coordenação dos movimentos, fluidez dos gestos e controle do tônus muscular (contração leve e involuntária dos músculos em estado de repouso).
A evolução da doença costuma ser dividida em três fases principais:
- Fase Inicial: caracterizada por um tremor leve (geralmente de um lado do corpo), diminuição da expressão facial, alterações na escrita e uma rigidez ainda discreta;
- Fase Intermediária: com impactos mais claros na rotina, principalmente a lentidão (bradicinesia) para realizar tarefas simples, como caminhar ou se vestir, e a rigidez muscular;
- Fase Avançada: o paciente passa a apresentar instabilidade postural, quedas frequentes, um andar arrastado com passos curtos e, em muitos casos, alterações cognitivas.
No entanto, um dos maiores obstáculos no combate ao Parkinson é a detecção precoce. Segundo o neurologista, o diagnóstico é um desafio que exige paciência e olhar clínico apurado. “Não há um exame que confirme o diagnóstico do paciente, ele depende da observação de um especialista em neurologia ao longo de um determinado período de tempo. Exames como a Ressonância Magnética, por exemplo, servem apenas para afastar outras doenças”, completa o Dr. Edson.
Embora seja mais frequente em homens acima dos 60 anos, atribuir o Parkinson apenas à idade ou à genética é um erro. A exposição prolongada a fatores externos e ambientais, por exemplo, aumenta consideravelmente as chances de desenvolver a doença. Pesticidas, herbicidas, solventes industriais, metais pesados, poluição, água contaminada e traumatismos cranioencefálicos repetidos são todos fatores determinantes no desenvolvimento da Doença de Parkinson.
Apesar disso, a condição neurológica pode ser prevenida a partir da adoção de hábitos saudáveis e constantes ao longo da vida. “Existem boas evidências de redução de risco e proteção cerebral por meio de exercícios físicos e alimentação saudável”, explica o médico do Hospital Santa Teresa. Ele destaca também o papel da Dieta Mediterrânea, rica em peixes, azeite, nozes, frutas e vegetais, que possui forte ação antioxidante e anti-inflamatória. Cuidar do sono também é fundamental, já que distúrbios noturnos estão intimamente ligados a doenças neurodegenerativas.
Já em relação ao tratamento, hoje destacam-se estratégias associadas à abordagem multidisciplinar e cirúrgica. A Cirurgia Funcional com Estimulação Cerebral Profunda (DBS), por exemplo, vem demonstrando ótimos resultados. Para casos avançados, o uso de infusões de medicação e bombas de apomorfina também podem ser indicados. “Nas últimas décadas evoluiu muito o tratamento da Doença de Parkinson. Temos bons resultados, diminuindo muito os sintomas e mantendo a qualidade de vida por muitos anos”, conclui o Dr. Edson Nunes.
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